MünstErasmus

A história de mais uma incursão na Alemanha profunda...

18 setembro, 2006

Divagações Nocturnas


Acho que muitos dos meus amigos me consideram uma pessoa que lê muito. Não pensem que isso quer dizer que leio muitos livros e com qualidade, nada disso, para isso provavelmente seria melhor falar com a Inês. Simplesmente leio. Não o consigo evitar. Leio as embalagens de cereais enquanto os como, os catálogos das promoções do supermercado… bolas, eu realmente leio aquelas letras pequenininhas dos contratos dos cartões de crédito!
Lembro-me de uma vez estar em casa da Avó Lia e da minha mãe me explicar, por qualquer razão que me escapa à memória, que a D. Maria – a empregada da Avó, não podia telefonar, porque não sabia ler… Não faço ideia se na altura terei comentado alguma coisa, mas eu devia estar na escola primária, e ainda hoje me faz confusão como é que não se consegue olhar para um desenho num papel e rodopiar aquelas bolinhas do telefone que forem iguais (sim crianças, os telefones antigamente não tinham botões).
Quando estive no Japão tive uma ideia do que é não perceber nada do que se passa à nossa volta, na estação de metro, nos anúncios, nos jornais… e o mais estúpido de tudo é que continuava a tentar. Apesar de saber que nunca iria perceber o que diziam os livros, continuava a folheá-los (e sim, eu a João e a Inês entrámos em bem mais livrarias Japonesas do que aquilo que seria de prever para ocidentais ignorantes em caracteres nipónicos).
Histórias, como chegar a uma loja e pedir alegremente em Português: “Queria selos, s.ê.l.o.s, para a carta, por favor” ilustram bem a falta de fé com que ficámos em relação a tentativas (frustradas) de Inglês… na verdade tanto fazia… Desde que fosse a sorrir e com muitos gestos havíamos de nos entender.

Nada disto faz grande sentido, mas são quase duas da manhã e “A Noite do Oráculo” de Paul Auster impediu-me de dormir a horas como queria e levou-me a pensar no quão brutalmente incontrolável pode ser ler. Acho que é por isso que leio menos do que gostaria. Depois não consigo andar acordada durante o dia.

A culpa é do Eduardo que me emprestou o livro. Quero mais.

2 Comments:

At 02 outubro, 2006, Blogger GFC said...

eheheh, és uma read-a-holic!!!

Adoro Paul Auster! É um dos meus escritores preferidos. Esse livro ainda não lí, mas deve estar pra breve.

Diverte-te por aí amiga.

Beijo

 
At 11 outubro, 2006, Blogger joana said...

Tambem gosto muito de Paul Auster :-)! há tantos livros e tão bons que nem sei bem por onde começar... leste o Timbuktu? é sobre a vida de um cão vadio, contado da perspectiva do próprio cão! genial...
E há outros, mais antigos e também bons :).
Beijinhos prima Rita e cá vou vindo ao teu blog.
Boa sorte para a tua "Einschulung" :-).

 

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