Divagações Nocturnas

Acho que muitos dos meus amigos me consideram uma pessoa que lê muito. Não pensem que isso quer dizer que leio muitos livros e com qualidade, nada disso, para isso provavelmente seria melhor falar com a Inês. Simplesmente leio. Não o consigo evitar. Leio as embalagens de cereais enquanto os como, os catálogos das promoções do supermercado… bolas, eu realmente leio aquelas letras pequenininhas dos contratos dos cartões de crédito!
Lembro-me de uma vez estar em casa da Avó Lia e da minha mãe me explicar, por qualquer razão que me escapa à memória, que a D. Maria – a empregada da Avó, não podia telefonar, porque não sabia ler… Não faço ideia se na altura terei comentado alguma coisa, mas eu devia estar na escola primária, e ainda hoje me faz confusão como é que não se consegue olhar para um desenho num papel e rodopiar aquelas bolinhas do telefone que forem iguais (sim crianças, os telefones antigamente não tinham botões).
Quando estive no Japão tive uma ideia do que é não perceber nada do que se passa à nossa volta, na estação de metro, nos anúncios, nos jornais… e o mais estúpido de tudo é que continuava a tentar. Apesar de saber que nunca iria perceber o que diziam os livros, continuava a folheá-los (e sim, eu a João e a Inês entrámos em bem mais livrarias Japonesas do que aquilo que seria de prever para ocidentais ignorantes em caracteres nipónicos).
Histórias, como chegar a uma loja e pedir alegremente em Português: “Queria selos, s.ê.l.o.s, para a carta, por favor” ilustram bem a falta de fé com que ficámos em relação a tentativas (frustradas) de Inglês… na verdade tanto fazia… Desde que fosse a sorrir e com muitos gestos havíamos de nos entender.
Nada disto faz grande sentido, mas são quase duas da manhã e “A Noite do Oráculo” de Paul Auster impediu-me de dormir a horas como queria e levou-me a pensar no quão brutalmente incontrolável pode ser ler. Acho que é por isso que leio menos do que gostaria. Depois não consigo andar acordada durante o dia.
A culpa é do Eduardo que me emprestou o livro. Quero mais.

2 Comments:
eheheh, és uma read-a-holic!!!
Adoro Paul Auster! É um dos meus escritores preferidos. Esse livro ainda não lí, mas deve estar pra breve.
Diverte-te por aí amiga.
Beijo
Tambem gosto muito de Paul Auster :-)! há tantos livros e tão bons que nem sei bem por onde começar... leste o Timbuktu? é sobre a vida de um cão vadio, contado da perspectiva do próprio cão! genial...
E há outros, mais antigos e também bons :).
Beijinhos prima Rita e cá vou vindo ao teu blog.
Boa sorte para a tua "Einschulung" :-).
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